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Bairro Peixoto é daquele jeito!

Bairro Peixoto é daquele jeito!

Quase que exclusivamente com pequenos prédios de até quatro andares – porque o Peixoto que lhe dá o nome não teve filhos. Assim como o Brás Cubas de Machado, o Comendador Peixoto não teve filhos – não transmitiu a ninguém o legado de nossa miséria.

O português Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca chegou ao Brasil em 1875 – exatos cem anos antes de eu legar nossa miséria à minha única filha –, estabeleceu-se no comércio, como tantos de seus patrícios, deu certo e enriqueceu.

Ao morrer, sem filhos, legou sua riqueza – uma bela chácara entre dois morros, com lagoa, pantanal, árvores frutíferas, um bambuzal – para cinco instituições de caridade. A doação continha uma exigência: as construções dentro daquela área não poderiam ultrapassar a altura de três pavimentos.

Há hoje uns dez prédios mais altos do que quatro andares na área que foi a chácara do Comendador Peixoto – mas não mais que isso. Claro que não contei – podem ser talvez uns 15, mas não mais que isso. E, a rigor, a rigor, não chegam a atrapalhar muito. O Peixoto é um bairro de predinhos de até quatro andares.

Em 1990, o bairro virou uma APA, área de proteção ambiental.

É uma absoluta maravilha que aquilo ali tenha resistido à pressão das imobiliárias. Revejo o mapa. A Rua Toneleros, que faz a divisa do Peixoto com o resto de Copacabana, é a terceira paralela à Avenida Atlântica. É Atlântica, a Nossa Senhora de Copacabana, a Barata Ribeiro e a Toneleros. O Peixoto, portanto, está a míseras quatro quadras do mar!

Mais ainda: junto da Toneleros está a Estação Siqueira Campos do metrô.

O Bairro Peixoto é a única cidade do interior que está a quatro quadras do mar de um dos bairros mais densamente povoados do mundo e a uma única quadra de uma estação de metrô!

Neste país em que tudo degringola tão depressa, em que as cidades ficam piores a cada ano, em que o sentido de ética não resiste a 12 anos de governo incompetente e corrupto, a existência do Bairro Peixoto é um milagre.